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Seu filho fez espirometria e deu normal. Então ele não tem asma?

Foto do escritor: Dra. Juliana Justi
Dra. Juliana Justi
há 6 dias
4 min de leitura


Seu filho apresenta episódios recorrentes de tosse, chiado ou falta de ar, mas realizou uma espirometria e o resultado veio normal. Isso significa que ele não tem asma?


Essa é uma dúvida muito comum entre as famílias e entender como a asma se comporta ajuda a compreender por que um exame normal, isoladamente, não encerra a investigação.


A asma é uma doença que pode variar ao longo do tempo. Por isso, seu diagnóstico envolve muito mais do que o resultado de um único exame.


O diagnóstico da asma é clínico.


O diagnóstico da asma começa pela avaliação cuidadosa da história da criança.


O pneumopediatra procura entender quais sintomas aparecem, com que frequência acontecem, em quais situações pioram e como a criança responde ao tratamento.


Entre os sintomas mais característicos estão:


  • Chiado no peito;

  • Tosse recorrente;

  • Falta de ar;

  • Sensação de aperto no peito;

  • Tosse ou cansaço durante atividades físicas;

  • Sintomas que aparecem ou pioram à noite, no frio ou durante infecções respiratórias.


O padrão desses episódios fornece informações muito importantes para o diagnóstico.


Dependendo da idade da criança e do contexto clínico, exames de função pulmonar podem complementar essa avaliação.


O que é a espirometria?


A espirometria é um exame utilizado para avaliar a função pulmonar.


Durante o teste, a criança realiza manobras respiratórias específicas em um aparelho capaz de medir, entre outras informações, a quantidade e a velocidade do ar que consegue expirar após uma inspiração profunda.


Em determinadas situações, essas medidas são obtidas antes e depois da administração de um medicamento broncodilatador inalatório.


A comparação dos resultados ajuda a identificar alterações do fluxo aéreo e a verificar se existe resposta significativa ao broncodilatador, fornecendo informações importantes na investigação da asma.


A asma tem uma característica importante: ela varia.


Uma criança com asma não precisa apresentar sintomas todos os dias.


Ela pode passar períodos praticamente sem nenhuma manifestação e, em outros momentos, apresentar tosse, chiado, falta de ar ou dificuldade durante atividades físicas.


Os sintomas podem aparecer, por exemplo, durante uma infecção respiratória, ao correr e praticar esportes, durante a noite, em períodos mais frios ou após exposição a determinados fatores desencadeantes.


Essa variabilidade dos sintomas e da limitação do fluxo aéreo é uma característica importante da própria doença.


E é justamente aqui que precisamos entender uma limitação da espirometria.


Pense na espirometria como uma “fotografia” daquele momento.


A espirometria mostra como a função pulmonar estava no momento em que o exame foi realizado.


Imagine uma criança que costuma apresentar sintomas durante crises ou infecções, mas realizou o exame justamente em uma fase em que estava bem.


Naquele momento, pode não existir uma obstrução do fluxo aéreo detectável no exame.


Consequentemente, a espirometria pode estar dentro dos valores esperados mesmo em uma criança que tenha asma.


Por isso, uma informação importante para as famílias é:


Espirometria normal, isoladamente, não descarta asma.


O resultado precisa ser interpretado junto à história clínica e aos demais achados da avaliação.


Então a espirometria não é importante?


Muito pelo contrário.


A espirometria é uma das principais ferramentas para avaliar objetivamente a função pulmonar das crianças que já conseguem realizar adequadamente as manobras necessárias para o exame.


Em geral, muitas crianças conseguem colaborar satisfatoriamente a partir dos 5 ou 6 anos, embora isso possa variar conforme a capacidade individual de realizar o teste.


Além de contribuir para o diagnóstico, a avaliação da função pulmonar também pode fornecer informações importantes durante o acompanhamento da criança com asma.


E quando existe suspeita de asma, mas a espirometria está normal?


Quando a história clínica é sugestiva, mas o exame inicial não demonstra alterações, a investigação não necessariamente termina ali.


Dependendo de cada caso, o pneumopediatra pode considerar estratégias como:


  • Repetir a espirometria em outro momento, inclusive quando houver sintomas;

  • Avaliar a variabilidade do pico de fluxo expiratório;

  • Utilizar testes de provocação brônquica em situações selecionadas;

  • Considerar outros exames complementares, como a medida da fração exalada de óxido nítrico (FeNO).


A escolha depende da idade, dos sintomas, da disponibilidade dos testes e das características individuais de cada paciente.


Nenhum desses resultados deve ser analisado isoladamente.


O que é o FeNO?


O FeNO, ou fração exalada de óxido nítrico, é um exame realizado por meio da respiração e pode fornecer informações sobre determinado padrão de inflamação presente nas vias aéreas, especialmente a inflamação do tipo 2.


Em alguns pacientes, ele pode ser utilizado como uma ferramenta complementar quando, após a avaliação clínica e outros testes, ainda existem dúvidas sobre o diagnóstico.


Assim como acontece com a espirometria, entretanto, seu resultado precisa ser colocado dentro do contexto clínico.


Um FeNO normal também não é suficiente, isoladamente, para excluir o diagnóstico de asma.


O diagnóstico da asma é como montar um quebra-cabeça.


Não existe uma única peça capaz de fornecer todas as respostas.


Na consulta, avaliamos os sintomas da criança, quando eles aparecem, como se comportam ao longo do tempo, possíveis fatores desencadeantes, exame clínico e resposta ao tratamento.


Nas crianças que já conseguem realizar adequadamente os testes de função pulmonar, acrescentamos novas peças a esse quebra-cabeça: a avaliação objetiva da função pulmonar e a resposta aos testes realizados.


É a combinação dessas informações que permite uma avaliação mais completa.


Quando procurar um pneumopediatra?


Tosse recorrente não deve ser automaticamente considerada asma, assim como uma espirometria normal não deve ser utilizada isoladamente para descartá-la.


Se o seu filho apresenta episódios recorrentes de tosse, chiado, falta de ar ou tosse e cansaço para respirar ao correr, brincar ou praticar esportes, vale investigar a causa.


Agende uma consulta com o pneumopediatra. Uma avaliação individualizada pode ajudar a entender o padrão dos sintomas, definir se existe necessidade de investigação complementar e indicar a abordagem mais adequada para a criança.

 
 
 

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