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Urticária na infância: causas e riscos

Foto do escritor: Dra. Juliana Justi
Dra. Juliana Justi
há 6 dias
3 min de leitura

De repente, aparecem placas avermelhadas e elevadas na pele da criança. Elas coçam, podem aumentar rapidamente e, pouco tempo depois, desaparecer de uma região para surgir em outra.


Para os pais, esse quadro costuma causar bastante preocupação e uma das primeiras perguntas é: “Será que foi alguma alergia?”


A urticária é uma condição muito comum na infância. Embora possa, sim, estar relacionada a uma reação alérgica, existem outras causas importantes e, nas crianças, as infecções estão entre as mais frequentes nos quadros agudos.


Como reconhecer uma urticária?


As lesões da urticária são chamadas de urticas. Geralmente são placas elevadas, avermelhadas ou mais claras no centro e acompanhadas de coceira.


Uma característica interessante é que elas podem ser bastante dinâmicas.


Uma placa pode surgir em determinada região, desaparecer em poucas horas e depois aparecer em outro local. Por isso, os pais podem ter a impressão de que as manchas estão “andando” pelo corpo.


Esse comportamento pode continuar acontecendo durante algum tempo mesmo após o início do tratamento com medicamentos antialérgicos.


Nem toda urticária na criança é uma alergia.


Esse é um ponto muito importante.


Quando uma criança apresenta urticária, muitas famílias imediatamente procuram algum alimento, medicamento ou produto novo que possa ter provocado uma reação.


Entretanto, infecções, especialmente as virais, são causas frequentes de urticária aguda durante a infância.


E isso pode gerar uma situação bastante confusa.


Imagine uma criança que está com febre e sintomas de uma infecção e começa a utilizar determinado medicamento. Durante a doença, surgem as placas de urticária.


É natural que a família associe imediatamente as manchas ao remédio.


Mas nem sempre ele é o responsável.


Em alguns casos, a própria infecção que motivou o uso da medicação pode estar relacionada ao aparecimento da urticária.


Por isso, não é adequado concluir que uma criança possui alergia a determinado medicamento apenas pela coincidência temporal. O pediatra ou alergista precisa analisar o histórico, o momento em que as lesões apareceram, os medicamentos utilizados e os demais sintomas.


Quais são as possíveis causas de urticária na infância?


Além das infecções virais, diferentes situações podem estar relacionadas ao aparecimento das lesões.


Entre elas estão:


  • Medicamentos;

  • Alguns alimentos;

  • Picadas de insetos;

  • Contato com determinadas substâncias;

  • Infecções bacterianas, em alguns casos;

  • Doenças autoimunes, menos frequentemente;

  • Estímulos físicos, como frio, calor, pressão ou exercício.


E existe ainda uma possibilidade que costuma frustrar os pais: nem sempre conseguimos identificar exatamente o que desencadeou a urticária.


Isso não significa que a investigação tenha sido inadequada. Dependendo do tipo e da duração do quadro, a causa simplesmente pode não ser identificada.


Urticária pode continuar aparecendo mesmo tomando antialérgico?


Pode.


O medicamento pode ajudar a controlar principalmente a coceira e as lesões, mas isso não significa necessariamente que nenhuma nova placa aparecerá imediatamente após o início do tratamento.


Durante um episódio de urticária, é possível que algumas lesões desapareçam enquanto outras apareçam em regiões diferentes.


A evolução do quadro e a necessidade de tratamento devem ser acompanhadas de acordo com a orientação médica.


Quando a urticária é uma emergência?


A presença de placas de urticária isoladamente é diferente de uma reação sistêmica grave.


Os pais devem procurar atendimento médico imediatamente se, junto às lesões, a criança apresentar sinais como:


  • Dificuldade para respirar, falta de ar ou chiado;

  • Inchaço importante de lábios ou língua;

  • Sensação de fechamento ou inchaço na garganta;

  • Rouquidão ou dificuldade para engolir;

  • Vômitos repetidos associados ao quadro;

  • Tontura, desmaio ou alteração importante do estado geral;

  • Sinais de queda da pressão.


Essas manifestações podem fazer parte de uma reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia, que exige atendimento de urgência.


E quando a urticária fica voltando?


Um episódio isolado durante uma infecção é diferente de uma criança que apresenta urticária repetidamente ou cujas lesões persistem ou recorrem por um período prolongado.


Nessas situações, pode ser necessário ampliar a investigação para entender as características do quadro e avaliar possíveis fatores associados.


Também é importante evitar restrições alimentares ou classificar medicamentos como causadores de alergia por conta própria. Retirar alimentos desnecessariamente da dieta ou registrar uma alergia medicamentosa sem avaliação adequada pode trazer consequências futuras para a criança.


Cada caso precisa ser avaliado individualmente.


Urticária não significa automaticamente alergia alimentar ou alergia a medicamentos.


Principalmente durante uma infecção, é importante considerar todo o contexto antes de determinar a causa das lesões.


Se seu filho apresenta episódios recorrentes de urticária ou existe dúvida sobre uma possível alergia, agende uma consulta com o alergista pediátrico. Uma avaliação individualizada ajuda a entender o padrão das manifestações, direcionar a investigação quando necessária e definir a conduta mais adequada para cada criança.

 
 
 

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